quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A AMIZADE, UMA NECESSIDADE FUNDAMENTAL PARA O MCC

O Movimento de Cursilhos de Cristandade (MCC), como sabemos, chegou ao Brasil em 1962, desde então tem levado – através da proclamação da Boa Nova e testemunho de vida – milhares de batizados à despertarem para uma mudança de rumo em suas vidas, ou seja, a conversão. O Cursilho (CUR) propriamente dito, com duração de dois ou três dias, é o “tempo forte” onde acontece: O processo de conversão que se procura iniciar ou reiniciar durante o CUR; o trabalho realizado com vistas ao surgimento de uma consciência crítica cristã nos participantes.
Percebemos que a conversão é um processo e, como tal se dará por toda nossa vida cristã. Algumas pessoas durante o encontro farão aquilo que a teologia moral chama de “opção fundamental”, ou seja, uma opção que passará a determinar totalmente sua vida, uma opção fundamental por, com e em Cristo – cristocêntrica. No entanto, muitas outras pessoas ainda necessitarão descobrir e fazer esta opção fundamental.
Para compreendermos essa problemática devemos entender como normalmente as pessoas são “tocadas” durante o encontro, ou seja, o cursilho. Num primeiro momento, digamos teológico, ocorre sua reconciliação com Deus – podemos nos lembrar que durante o plenário muitos mencionam a importância de terem se “reencontrado” com Deus pelo sacramento da reconciliação – fazendo com que se sintam acolhidos pelo Amor de Deus. Outro momento importante, este antropológico, ocorre nos grupos de trabalhos, onde se estabelece uma relação de confiança e abertura entre seus integrantes. Esta relação faz com que os integrantes do grupo compartilhem de assuntos particulares de suas vidas. Este ambiente criará um vínculo afetivo com os integrantes do grupo, que será fundamental no pós-cursilho – lembremos também que ficará notório constatar durante o plenário, na fala de cada integrante, a importância do vínculo afetivo criado nos grupos. A decorrência desse vínculo afetivo poderá, agora no póscursilho, fazer com que o neo cursilhista dê seqüência em seu processo de conversão e, que a maioria, faça a opção fundamental em Cristo. (O MOVIMENTO DE CURSILHOS DE CRISTANDADE: O Cursilho por dentro: Ambientação e esquemas, São Paulo: Ed. Palube, 2006.
Nota do autor: o termo “afetivo” não deve ser entendido como uma carência afetiva proveniente de um desodenamento emocional – embora neste contexto isso poderá ocorrer – , mas sim como um relacionamento de amizade cristã madura que pressupõe: respeito, sinceridade, doação, equilibrio, compreensão enfim, corresponda à uma amizade caritativa, misericordiosa, caridosa; este como objetivo da dimenão comnunitária no póscursilho) pós-cursilho é fundamental para o neo cursilhista, que no primeiro encontro de formação (Escola Vivencial e Núcleo de Comunidade Ambiental) espera reencontrar a mesma afetividade, ou pelo menos parte dela, daquela criada em seu grupo durante o CUR – com isso podemos entender a importância da presença dos responsaveis pelos grupos no CUR, como também de todos os cursilhistas do GED, neste que para os novos cursilhistas é o primeiro encontro no pós-cursilho.
Escutei muitas vezes pessoas dizendo que estão no MCC somente por Jesus Cristo, desculpe, mas não é somente por Ele, pois se fosse poderiam participar de qualquer outro movimento ou pastoral. Estamos no movimento por Cristo sim, mas também pelas nossas relações afetivas. Através dessas relações entramos num processo de humanização em busca da plenitude humana encarnada por Jesus Cristo. Nessas relações afetivas ou de amizade, pautadas na dinâmica de Cristo, encontramos o elemento essencial para o crescimento humano, pois nessas relações o indivíduo deixa de voltar sua atenção somente para si – embora seja necessário em alguns momentos um movimento de interiorização reflexiva –, tornando-se assim disponível para os outros – num gesto de doação –, estes que o permite existir, conhecer e se encontrar. As relações interpessoais combatem todo e qualquer tipo de auto-suficiência pessoal e, deve combater o individualismo e isolamento numa atitude de abertura ao outro. Segundo Emmanuel Mounier precursor da corrente do personalismo em meados do século XX, “...a pessoa tem que eliminar este individualismo,
nascendo um para outro, ou seja, é o “EU” em direção do “Tu” que resulta no “Nós”, assim nosso Ser se torna Amor”. Ser pessoa, portanto, é ter atitudes de doação ao outro em gestos de compreensão, generosidade e fidelidade criadora respeitando o mistério que existe em cada ser humano. Embora seja um discurso antroplógico de uma corrente filosófica, a afirmação de Mounier elucida ainda mais a necessidade que temos de nos relacionar em vista de nossa humanização. A amizade entre nós cursilhistas, nos fortalece em nossa caminhada, nela encontramos motivações para sermos melhores pessoas e, através dela vivemos uma comunidade de fé, esperança e caridade. Como é bom rever os amigos, saber como estão, contar nossas dificuldades, ouvir e falar palavras de consolo, enfim, como é bom estarmos unidos em comunidade!

Para cultivarmos essas relações amistosas necessitamos de um tempo reservado para isso, mesmo que sejam alguns minutos antes ou depois dos momentos de oração, formação ou ação; para nos motivar na difícil caminhada cotidiana. Nesse sentido viva nossas Ultréias!
Momento de avaliar e repensar nossa caminhada, mas também momento de celebrar e revigorar nossos laços de amizade, momento (Personalismo: o personalismo, surge como uma filosofia. Centrada na pessoa, o personalismo reflete sobre o ser humano – este indefinível – não como um objeto a ser dissecado, contemplado numa posição exterior, mas sim, em sua expressão livre de criação) de partilha e de alegria. As comunidades unidas são – eis um dos motivos da urgência da participação mais ativa dos jovens no MCC –, onde as pessoas se respeitam e aprendem a lidar com seus afetos desordenados em prol de um convívio fraterno. Para tanto, Jesus Cristo nos deixou exemplos de como podemos fazer isso, amai-vos uns aos outros como eu vos amei. (Jo 15,12) onde nossas atitudes devem ser em vista para o bem do próximo. Neste contexto podemos afirmar que somente nos humanizaremos, ou seja, nos tornaremos como Cristo através de nossas relações interpessoais, principalmente com a comunidade de fé, o MCC.
Assim ao valorizarmos nossas relações afetivas – dentro de um espírito cristão – através da oração, formação e ação, estaremos possibilitando aos novos cursilhistas fazerem sua opção fundamental em Cristo e para os cursilhistas mais antigos a confirmação desta opção, que nada mais é do que a adesão à realização do projeto assumido por Cristo e herdado por nós, povo de Deus, ou seja, a própria Igreja.


Fonte: BÍBLIA DE JERUSALÉM. São Paulo: Paulus,Nova edição, revista, 2000.
MOUNIER, Emmanuel. O Personalismo. Morais: Lisboa, 1964.
MOVIMENTO DE CURSILHOS DE CRISTANDADE: O Cursilho por dentro: Ambientação e esquemas, São Paulo: Ed. Palube, 2006.
SANTO INÁCIO DE LOYOLA. Exercícios Espirituais: apresentação, tradução e notas do Centro de Espiritualidade Inaciana de Itaici. S.Paulo: Loyola, 2000.
Nota do autor: o termo Afetos desordenados foi utilizado por Santo Ignácio de Loyola (1491- 1556) para representar tudo que se tratava da fraquezas humanas, como a inveja, a vaidade, a concupiscência, a maledicência, etc. Para Santo Inácio estes afetos deviam ser evitados para que pudesse o homem atingir sua finalidade, realizar a Vontade de Deus.

Ademir Moreira Pereira
1º.Tesoureiro GEN

domingo, 15 de agosto de 2010

NOSSA SENHORA DE ASSUNÇÃO - 15 DE AGOSTO

Salve, Rainha, Mãe de Misericórdia!
Vida, doçura e esperança nossa, salve!

 
Rainha Assunta ao Céu!

A décima das doze invocações de Maria como “Rainha” saúda a Mãe de Deus como “Rainha assunta ao céu”, em latim Regina in Coelum Assumpta. O final da ladainha acena para o mais recente dos dogmas marianos: a assunção de Maria.

Como em Cabo Frio/RJ, na cidade de Brusque, em Santa Catarina/SC, temos o Santuário de Azambuja, que celebra todos os anos com grande solenidade a festa da Assunção de Nossa Senhora.

O Papa Pio XII, em 1950, definiu como dogma de fé que, terminado o curso sua vida terrena, Maria foi “elevada” ou “assumidade corpo e alma no céu. No mesmo ano esta invocação passou a fazer parte oficialmente da Ladainha.

Alguém poderia questionar o sentido destes quatro dogmas. De modo algum é uma forma simplória de elogiar Maria. Ela não foi escolhida por seus méritos, mas pela graça de Deus. Os dois primeiros dogmas, mais antigos e claramente bíblicos, indicam a natureza de Jesus Cristo e garante a verdade fundamental da salvação. Dizer que a “virgem” Maria concebeu do Espírito Santo, significa professar a fé na divindade de Jesus. Nele o “Verbo se fez carne” (Jo 1,14). O céu assumiu definitivamente a terra. Mas para que não reste dúvida da inseparabilidade da divindade e da humanidade de Jesus, dizemos que Maria é “Mãe de Deus”, ou seja, é mãe do Cristo todo, pois nele não existe um departamento humano e outro divino.

Os dogmas da “imaculada” e da “assunção”, são bem mais recentes. Eles se referem à origem e ao destino da humanidade. Maria é ícone do povo de Deus. Olhando para ela vemos nossa identidade como em um espelho. Ela foi imaculada. Esta é a nossa origem. No princípio era a santidade original. Somente depois veio o pecado original. Um dia, no céu, seremos santos e imaculados. Todos nós queremos ser assumidos no colo de Deus. Cada um terá a sua própria “assunção”.

Temos que superar aquela visão simplista de Maria sendo elevada por anjos para além das nuvens. Por uma questão de delicadeza teológica, a Igreja evita responder à pergunta se Maria morreu ou não. Na verdade, desde tempos muitos antigos os cristãos festejavam a festa da “Dormição de Maria”. Prefiro a tradução de “assunção” como aquela que foi “promovida”, ou “assumida”.

Alguém me perguntou se este dogma tem fundamento bíblico. O Magnificat é fundamento suficiente. “Exulta de alegria o meu espírito em Deus, meu Salvador … / Porque fez em mim maravilhas o Onipotente” (Lc. 1, 47.49). Assumir Maria no céu foi a última das grandes Mariavilhas que Deus fez na vida de Maria. Aquela que foi concebida sem pecado e viveu cheia de graça só poderia receber o “prêmio da coroa eterna”. Mas adiante o canto de Maria dirá que Deus “derruba do trono os poderosos e eleva os humildes” (cf. Lc 1,46s). Esta “elevação” é o sentido próprio da assunção.

Todos nós devemos viver esta mística em nosso dia-a-dia. Somos chamados a promover as pessoas, a praticar a solidariedade e a promoção humana. Muitos vivem em um verdadeiro inferno de dor, sofrimento, fome, injustiça, pecado. Os pobres esperam a mão solidária que os eleve. Jesus disse que quem pratica estas obras de misericórdia, ou de promoção humana, será acolhido no abraço definitivo, no reino dos céus (cf. Mt 25).

Os dogmas não são apenas de Maria. Revelam a identidade de Cristo e a face de cada um de nós. Como disse Santo Ambrósio: “Esteja em cada um a alma de Maria a glorificar ao Senhor, esteja em cada um o espírito de Maria a exultar em Deus; se, pela carne, uma só é a mãe de Cristo, pela fé todas as almas geram a Cristo: cada uma, de fato, acolhe em si o Verbo de Deus” (Exp. ev. sec. Lucam, II, 26).

Maria é sinal de esperança, é estrela da manhã que precede o sol nascente, a luz do alto que veio nos visitar. Vamos assumir Deus e promover os irmãos e Deus nos assumirá e nos promoverá ao Reino do Céu.

Rainha assunta ao céu, rogai por nós!


“Hino À Nossa Senhora Da Assunção”

Virgem Senhora da Assunção
Refúgio dos pecadores
Do alto trono em que estás
Ouvi os nossos clamores!
Vós sois a nossa advogada
Neste vale que habitamos
Mandai-nos do céu as graças
Que humildes suplicamos
Rainha excelsa dos anjos
E dos homens escudo forte
Atendei-nos compassiva
Na fatal hora da morte.


   

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A graça de ser só






"Há pessoas que acham um absurdo o fato de padre não poder casar"



Ando pensando no valor de ser só. Talvez seja por causa da grande polêmica que envolveu a vida celibatária nos últimos dias. Interessante como as pessoas ficam querendo arrumar esposas para os padres. Lutam, mesmo que não as tenhamos convocado para tal, para que recebamos o direito de nos casar e constituir família.

Já presenciei discursos inflamados de pessoas que acham um absurdo o fato de padre não poder casar.

Eu também fico indignado, mas de outro modo. Fico indignado quando a sociedade interpreta a vida celibatária como mera restrição da vida sexual. Fico indignado quando vejo as pessoas se perderem em argumentos rasos, limitando uma questão tão complexa ao contexto do “pode ou não pode”.

A sexualidade é apenas um detalhe da questão. Castidade é muito mais. Castidade é um elemento que favorece a solidão frutuosa, pois nos coloca diante da possibilidade de fazer da vida uma experiência de doação plena. Digo por mim. Eu não poderia ser um homem casado e levar a vida que levo. Não poderia privar os meus filhos de minha presença para fazer as escolhas que faço. O fato de não me casar não me priva do amor. Eu o descubro de outros modos. Tenho diante de mim a possibilidade de ser dos que precisam de minha presença. Na palavra que digo, na música que canto e no gesto que realizo, o todo de minha condição humana está colocado. É o que tento viver. É o que acredito ser o certo.


Nunca encarei o celibato como restrição. Esta opção de vida não me foi imposta. Ninguém me obrigou ser padre, e quando escolhi o ser, ninguém me enganou. Eu assumi livremente todas as possibilidades do meu ministério, mas também todos os limites. Não há escolhas humanas que só nos trarão possibilidades. Tudo é tecido a partir dos avessos e dos direitos. É questão de maturidade.


Eu não sou um homem solitário, apenas escolhi ser só. Não vivo lamentando o fato de não me casar. Ao contrário, sou muito feliz sendo quem eu sou e fazendo o que faço. Tenho meus limites, minhas lutas cotidianas para manter a minha fidelidade, mas não faço desta luta uma experiência de lamento. Já caí inúmeras vezes ao longo de minha vida. Não tenho medo das minhas quedas. Elas me humanizaram e me ajudaram a compreender o significado da misericórdia. Eu não sou teórico. Vivo na carne a necessidade de estar em Deus para que minhas esperanças continuem vivas. Eu não sou por acaso. Sou fruto de um processo histórico que me faz perceber as pessoas que posso trazer para dentro do meu coração. Deus me mostra. Ele me indica, por meio de minha sensibilidade, quais são as pessoas que poderão oferecer algum risco para minha castidade. Eu não me refiro somente ao perigo da sexualidade. Eu me refiro também às pessoas que querem me transformar em “propriedade privada”. Querem depositar sobre mim o seu universo de carências e necessidades, iludidas de que eu sou o redentor de suas vidas.

Contra a castidade de um padre se peca de diversas formas. É preciso pensar sobre isso. Não se trata de casar ou não. Casamento não resolve os problemas do mundo.

Nem sempre o casamento acaba com a solidão. Vejo casais em locais públicos em profundo estado de solidão. Não trocam palavras, nem olhares. Não descobriram a beleza dos detalhes que a castidade sugere. Fizeram sexo demais, mas amaram de menos. Faltou castidade, encontro frutuoso, amor que não carece de sexo o tempo todo, porque sobrevive de outras formas de carinho.

É por isso que eu continuo aqui, lutando pelo direito de ser só, sem que isso pareça neurose ou imposição que alguém me fez. Da mesma forma que eu continuo lutando para que os casais descubram que o casamento também não é uma imposição. Só se casa aquele que quer. Por isso perguntamos sempre – É de livre e espontânea vontade que o fazeis? – É simples. Castos ou casados, ninguém está livre das obrigações do amor. A fidelidade é o rosto mais sincero de nossas predileções.


A graça desça sobre cada um de vocês meus filhos!

Em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo

AMÉM!














 Carta do Padre Fábio de Mello
Padre Fábio de Melo é professor no curso de teologia,
cantor, compositor, escritor e apresentador do programa
"Direção espiritual" na TV Canção Nova.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Santa Clara de Assis

"Clara de nome, mais clara de vida e claríssima de virtudes!" Neste dia, celebramos a memória da jovem inteligente e bela que se tornou a 'dama pobre'.

Santa Clara de Assis viveu oitocentos e dezessete anos atrás e sempre foi bastante conhecida nos ambientes franciscanos. Sabia-se que era uma contemporânea e companheira de São Francisco de Assis, fundadora da Segunda Ordem Franciscana, a das Irmãs Clarissas.

Clara nasceu em Assis, no ano 1193, no seio de uma família da nobreza italiana, muito rica, onde possuía de tudo. Porém o que a menina mais queria era seguir os ensinamentos de Francisco de Assis. Aliás, foi Clara a primeira mulher da Igreja a entusiasmar-se com o ideal franciscano. Sua família, entretanto, era contrária à sua resolução de seguir a vida religiosa, mas nada a demoveu do seu propósito.

No dia 18 de março de 1212, aos dezenove anos de idade, fugiu de casa e, humilde, apresentou-se na igreja de Santa Maria dos Anjos, onde era aguardada por Francisco e seus frades. Ele, então, cortou-lhe o cabelo, pediu que vestisse um modesto hábito de lã e pronunciasse os votos perpétuos de pobreza, castidade e obediência.

Depois disso, Clara, a conselho de Francisco, ingressou no Mosteiro beneditino de São Paulo das Abadessas, para ir se familiarizando com a vida em comum. Pouco depois foi para a Ermida de Santo Ângelo de Panço, onde Inês, sua irmã de sangue, juntou-se a ela.


 
Pouco tempo depois, Francisco levou-as para o humilde Convento de São Damião, destinado à Ordem Segunda Franciscana, das monjas. Em agosto, quando ingressou Pacífica de Guelfúcio, Francisco deu às irmãs sua primeira forma de vida religiosa. Elas, primeiramente, foram chamadas de "Damianitas", depois, como Clara escolheu, de "Damas Pobres", e finalmente, como sempre serão chamadas, de "Clarissas".

Em 1216, sempre orientada por Francisco, Clara aceitou para a sua Ordem as regras beneditinas e o título de abadessa. Mas conseguiu o "privilégio da pobreza" do papa Inocêncio III, mantendo, assim, o carisma franciscano. O testemunho de fé de Clara foi tão grande que sua mãe, Ortolana, e mais uma de suas irmãs, Beatriz, abandonaram seus ricos palácios e foram viver ao seu lado, ingressando também na nova Ordem fundada por ela.

A partir de 1224, Clara adoeceu e, aos poucos, foi definhando. Em 1226, Francisco de Assis morreu e Clara teve visões projetadas na parede da sua pequena cela. Lá, via Francisco e os ritos das solenidades do seu funeral que estavam acontecendo na igreja. Anteriormente, tivera esse mesmo tipo de visão numa noite de Natal, quando viu, projetado, o presépio e pôde assistir ao santo ofício que se desenvolvia na igreja de Santa Maria dos Anjos. Por essas visões, que pareciam filmes projetados numa tela, santa Clara é considerada Padroeira da Televisão e de todos os seus profissionais.

Depois da morte de são Francisco, Clara viveu mais vinte e sete anos, dando continuidade à obra que aprendera e iniciara com ele. Outro feito de Clara ocorreu em 1240, quando, portando nas mãos o Santíssimo Sacramento, defendeu a cidade de Assis do ataque do exercito dos turcos muçulmanos.


 
Seu corpo permanece incorruptivel até hoje. Santa Clara está com o corpo intacto até os dias de hoje, e serve de sinal de fé, esperança, amor. Essa luz nos faz aproximar do amor do criador que não mede esforços para nos cumular de bençãos.


 “Aqui jaz o corpo da Virgem Santa Clara”



No dia 11 de agosto de 1253, algumas horas antes de morrer, Clara recebeu das mãos de um enviado do papa Inocêncio IV a aguardada bula de aprovação canônica, deixando, assim, as sua "irmãs clarissas" asseguradas. Dois anos após sua morte, o papa Alexandre IV proclamou santa Clara de Assis.


“Relicário” de vidro onde se encontram os ossos de Santa Clara.
A lateral esquerda deste “corpo” encontra-se aberta.
Assim, apenas as Irmãs Clarissas vêem, de dentro da clausura, os ossos da santa.


 



Santa Clara, rogai por nós!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Deus quer. Você decide.



Deus quer produzir uma geração de homens e mulheres novos. Sabendo disso, o demônio quer exterminar a riqueza da humanidade: a nossa juventude. Ele quer exterminá-la mediante o sexo desregrado, a bebida, as drogas e as consequências todas que vêm daí. Talvez você tenha entrado por esses caminhos errados. Volte! Faça uma boa confissão. Recomece tudo de novo! Você é capaz de permanecer na graça de Deus. É necessário ser coerente. O Altíssimo lhe dará forças para superar, mas é preciso força de vontade: decisão. E isso cabe a você.


 
Para que aconteça o sacramento da Eucaristia, precisamos colocar o pão, o vinho e a palavra do sacerdote: esta é a nossa parte. Se não a fizermos, o Espírito Santo não tem como realizar a Eucaristia. Somente quando o padre proclama as palavras da consagração é que o Espírito Santo pode entrar em ação e realizar o milagre da Eucaristia.


 
Nossa única dívida é amar e evangelizar! (monsenhor Jonas Abib)



É isso que acontece no nosso caminho de santificação: quando você coloca a sua decisão, o Senhor vem e coloca o Seu poder. Deus não quer fazer nada sozinho, e nós não conseguimos fazer nada sozinhos. É preciso unir os dois elementos desta jornada maravilhosa: o querer de Deus com a nossa decisão. O Senhor quer fazer de nós sementes de uma nova geração. Se entramos com a nossa decisão, o querer de Deus Pai acontece. Sem a nossa parte, nada acontecerá. Deus quer. Você decide. Da nossa parte é preciso assumir e corresponder à própria escolha.



(Trecho do livro "Vocação: um desafio de amor" de monsenhor Jonas Abib)


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

4 de Agosto: Dia do Padre

Cumprimentamos, com a maior alegria, nossos Bispos e padres!

Que eles se deixem iluminar cada vez mais pelo Espírito Santo, a fim de que sejam sempre os Bons Pastores de que necessitamos - para melhorarmos a nós próprios, melhorarmos o mundo e salvarmos nossas almas!

Cada católico tem a obrigação de ajudar os sacerdotes, não só na Evangelização, mas também no objetivo que cada um deles tem, de ser santo. Erra o leigo que trata o seu sacerdote como se, para ele, fossem mais importantes os bens materiais que os espirituais.

1 - Sim, erra o leigo cuja preocupação é a bebida para o sacerdote, e até a bebida mais cara, a roupa de marca, levá-lo à manicure, etc.

A evangelizadora Carmita Overbeck fala sobre este problema em seu livro “Ide, evangelizai”.

Citando palavras de Dom Valfredo Tepe, ela lembra que se o leigo colabora para que o sacerdote esqueça “que escolheu livremente caminhar pelo caminho da porta estreita” (São Mateus 7,13), este leigo está colaborando para que o sacerdote não permaneça fiel ao seu compromisso de Pobreza-Castidade-Obediência.

2 - Erram os leigos que não entendem a magnificência do celibato clerical, julgando-o ser a causa de tudo de errado que acontece na Igreja!

Ah, se esses leigos inimigos internos da Igreja (porquanto não são mansos, não são humildes em relação ao que a Igreja diz), lessem “Carta sobre o Celibato” do Venerável Padre José Frassinetti, irmão de Santa Paula Frassinetti!

4 de agosto é dia de São João Maria Vianney, padre que obteve a Salvação da Alma através da prática da Caridade perfeita, ou seja, procurando não pecar, a fim de poder fazer um Anúncio completo e correto.

Por ter sido modelo do modelo de padre, o dia da sua Morte, do seu Juízo Particular e da sua Entrada no Céu foi escolhido para ser o dia do Padre. Nada mais justo!

O ano passado ressaltávamos aqui o risco de ser padre, lembrando a frase de São João Maria Vianney: “Choro, pensando na desgraça dos sacerdotes que não correspondem à santidade de sua vocação.”

Corpo incorrupto do Santo Cura d’Ars


Gostaríamos de falar aqui sobre falecidos grandes padres estrangeiros, como o Venerável Padre José Frassinetti e sobre grandes padres brasileiros, como Padre Monte, mas o espaço no Boletim é insuficiente.

Terminamos então com um conselho do padre José Frassinetti a um colega sacerdote sobre a Missão de ouvir as confissões dos católicos e dar-lhes uma correta orientação; e um conselho do Padre Monte aos apóstolos do seu tempo, mas atualíssimo, e que serve para todos nós:

“É necessário que te convenças de que ser um bom confessor é um grande Dom de Deus. Portanto, se não tens este dom, deverias pedi-lo em tuas orações. Um bom confessor é um Anjo colocado por Deus ao lado do homem nesta terra, como sua custódia visível. Quando fala o confessor, fala o Senhor.” (Padre José Frassinetti)

“... não é somente LUZ o de que precisa o apóstolo para levar às turbas pervertidas da atualidade, a verdade salvadora das instituições. ENERGIA, sim! Muita ENERGIA, também, porque, se o apóstolo não vive do que ensina, não pratica o que exige dos outros, não tem coragem bastante para tudo sacrificar, até a vida, pelo objetivo de sua doutrina, nada é, nada consegue, nada pode edificar no meio da desordem que é o resultado de tantas paixões ruins. Anjo nos salões da aristocracia, cheio de ademanes estudados ante os poderosos, e demônio na vida íntima,... tem um sem-número de facetas, que apresenta conforme a circunstância... ,dando a entender aos que se lhe aproximam, que ele mesmo não está convencido da Verdade pela qual parece bater-se.

Sejamos iguais em toda parte e sobretudo esqueçamos os nossos interesses particulares; atiremo-nos à liça no campo raso dos nobres certames espirituais. E quando não tenhamos a ventura de gozar o resultado da indômita coragem que exercemos na luta pelo Bem e pela Verdade, ao menos deixaremos aos pósteros, um campo já desbravado pelo exemplo empolgante de uma vida sem desfalecimento.” (Padre Monte)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Carta MCC Ago/2010 (132ª)

“Com efeito, Deus, que disse: ‘Do meio das trevas brilhe a luz’, é o mesmo que fez brilhar a luz em nossos corações, para que resplandeça o conhecimento da glória divina que está sobre a face de Jesus Cristo” (2Cor 4,6).

Algumas – ou muitas – de minhas cartas mensais do mês de agosto, desde o já distante 1999, têm tido como foco, reflexões que giram em torno da Transfiguração de Jesus cuja festa é celebrada no dia seis. Pois neste de 2010, quero centrar-me no mesmo episódio, pois o julgo importante para a vida dos discípulos missionários nos dias que correm. Dias de aceleradas transformações; dias de vertiginosas mudanças; dias nos quais brilham luzes imaginárias que quando, porventura, se acendem mostram-se fugidias e enganadoras; dias de faces brilhantes e mentes carregadas de obscuridade, apesar de tantas promessas de holofotes e de intenso brilho; dias de irradiantes emanações da ciência e, entretanto de tanta obscuridade dos corações na expressão e vivência da fé.

1. Jesus manifesta a sua glória na luz de sua face resplandecente. De maneira muito especial é São João que, desde o início do seu Evangelho, nos mostra a presença da luz em Cristo; melhor, identifica Cristo, a Palavra do Pai, com a luz: “Nela (na Palavra) estava a vida e a vida era luz dos homens” (Jo 1,4). Prosseguindo, o Evangelista constata que, apesar de iluminar a todo o mundo, não só o próprio mundo não a reconheceu, como também não a reconheceram os que eram seus: “Ela veio para o que era seu, mas os seus não a acolheram” (Jo 1,11). E não acolheram a Palavra pela simples razão de não a conhecer. Agora, entretanto, os discípulos tinham diante de si a Palavra, a “Luz verdadeira que, vindo ao mundo a todos ilumina” (Jo 1, 9). Mesmo assim duvidavam que Jesus fosse a Palavra eterna do Pai, a Luz verdadeira. Talvez por isso, Jesus quis provar-lhes a sua divindade, transfigurando-se no alto da montanha para que ouvissem a voz do Pai saída dentro da nuvem: “Este é o meu Filho, o Eleito. Escutai-o!” (Lc 9, 38). O esplendor da face de Jesus no episódio da Transfiguração deveria levar os apóstolos à convicção de que eles, e os que aceitariam a Luz verdadeira, se tornariam filhos e filhas de Deus e não mais caminhariam nas trevas, como já lhes dissera o próprio Jesus: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não caminha nas trevas, mas terá a luz da vida”. (Jo 8,12). Aliás, o Evangelista volta a afirmar ainda no início do seu Evangelho: “A quantos, porém, a acolheram, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; são os que crêem no seu nome” (Jo 1,12). Aos meus caros leitores deixo dois pontos para reflexão: a) você reconhece em Jesus a única fonte de luz capaz de iluminar todo seu ser? b) você tem manifestado aos que o cercam a alegria da luz de Cristo?

2. Os discípulos missionários manifestam ao mundo a luz de Cristo. Se sua resposta foi positiva, então você pode ter certeza de que tudo ao seu redor vai ser iluminado por sua presença: a família, o ambiente de trabalho, de lazer, de convivência e de relação com outras pessoas. Seus olhos haverão de brilhar iluminados pela luz de Cristo; suas palavras haverão de ser centelhas faiscantes da luz divina; o mundo todo ao seu redor, tal como um farol a guiar os navegantes, haverá de, pouco a pouco, transfigurar-se também, iluminando, assim, seus próprios critérios e valores com a luz do Transfigurado. O seguidor de Jesus, seu discípulo missionário, como um ser iluminado por essa luz, sob nenhum pretexto poderá esconder-se ou esconder a luz que brilha nele, embora continuamente tentado pelas ilusórias luzes da cultura contemporânea e por suas enganadoras facilidades: o consumismo, a vaidade, as aparências enganosas do culto ao corpo, etc.. O nosso Documento de Aparecida repete, pelo menos umas seis vezes, que necessitamos de um “novo Pentecostes”. Ora, Pentecostes é a luz do Espírito Santo, é a luz do Transfigurado. É verdade que o Documento nos fala de cada comunidade. Entretanto, não existe comunidade sem a participação viva de cada discípulo missionário: “Necessitamos que cada comunidade cristã se transforme num poderoso centro de irradiação da vida em Cristo. Esperamos um novo Pentecostes que nos livre do cansaço, da desilusão, da acomodação ao ambiente; esperamos uma vinda do Espírito que renove nossa alegria e nossa esperança. Por isso, é imperioso assegurar calorosos espaços de oração comunitária que alimentem o fogo de um ardor incontido e tornem possível um atraente testemunho de unidade “para que o mundo creia” (Jo 17,21 (DAp 362).

3. É urgente “desarmar” as tendas. Comodismo, instalação, acomodação. Pedro, Tiago e João, diante de tanto fascínio, de tanta glória, talvez estivessem pensando haver encontrado a tranquilidade, a paz, enfim, o paraíso na terra. Quem sabe já se sentiam cansados de andar com aquele que era visto com tanta desconfiança por seus próprios conterrâneos. Ou, então, sentiam-se lisonjeados pelo convite com que o Senhor lhes privilegiara sobre os demais seguidores dAquele que parecia um “sinal de contradição” para os costumes vigentes e para os seus desafetos e inimigos de sua mensagem. Então, por que não armar ali três tendas… porque não permanecer abrigados para sempre e para sempre iluminados por aquela luz divina? Afinal, longe do tumulto das incômodas e barulhentas multidões que corriam atrás do Mestre em busca de milagres e sinais do céu, até a voz de Deus se fizera ouvir, confirmando tudo o que Jesus já lhes vinha afirmando. Mas, era preciso descer, sair, com Jesus, retomar a cruz de cada dia, voltar ao chão da vida peregrina do Mestre. E você, meu irmão, minha irmã, qual é sua atitude? Embora maravilhosos os momentos passados aos pés do Mestre, você não se anima a “descer” com Ele para a missão? Por que não desarmar nossas tendas, ainda que muito confortáveis?

Termino com uma forte chamada de atenção que nos fazem nossos Pastores em Aparecida:“Esta V Conferência, recordando o mandato de ir e fazer discípulos (cf. Mt 28,20), deseja despertar a Igreja na América Latina e no Caribe para um grande impulso missionário. Não podemos deixar de aproveitar esta hora de graça. Necessitamos de um novo Pentecostes! Necessitamos sair ao encontro das pessoas, das famílias, das comunidades e dos povos para lhes comunicar e compartilhar o dom do encontro com Cristo, que tem preenchido nossas vidas de “sentido”, de verdade e de amor, de alegria e de esperança! Não podemos ficar tranqüilos em espera passiva em nossos templos, mas é imperativo ir em todas as direções para proclamar que o mal e a morte não tem a última palavra, que o amor é mais forte, que fomos libertos e salvos pela vitória pascal do Senhor da história, que Ele nos convoca na Igreja, e quer multiplicar o número de seus discípulos na construção de seu Reino em nosso Continente! Somos testemunhas e missionários: nas grandes cidades e nos campos, nas montanhas e florestas de nossa América, em todos os ambientes da convivência social, nos mais diversos “lugares” da vida pública das nações, nas situações extremas da existência, assumindo ad gentes nossa solicitude pela missão universal da Igreja” (DAp 548).

Um forte abraço fraterno do irmão e servidor em Cristo, desejando de todo o coração que ouçamos a voz do Pai: “Este é o meu Filho, o escolhido. Escuta o que Ele diz” (Lc 9, 35);

Pe. José Gilberto BERALDO

domingo, 1 de agosto de 2010

"Igreja é Jovem e Alegre", destaca Bento XVI


Sexta-feira, 30 de julho de 2010, 10h14

O Papa assistiu ao filme "Cinco anos com o Papa Bento XVI – Impressões em Roma e nas Viagens" nesta quinta-feira, 29, às 17h30min (em Roma – 12h30min em Brasília), no Palácio Apostólico de Castel Gandolfo, onde passa um período de descanso.

"A Igreja, também hoje, ainda que sofra tanto, como sabemos, todavia é uma Igreja alegre, não é uma Igreja envelhecida, mas vimos que a Igreja é jovem e que a fé cria alegria", destacou em discurso pronunciado após a projeção da película.

Acesse o Discurso do Papa após projeção do filme "Cinco anos com o Papa Bento XVI" e OUÇA o Discurso do Papa (em italiano) no link:
http://podcast.cancaonova.com/programa.php?id=2277.

O Pontífice agradeceu ao canal público de TV da Baviera (Alemanha), Bayerischer Rundfunk, produtor do filme, pela "viagem espiritual extraordinária" que proporcionou.

"Foi para mim, pessoalmente, muito comovente ver alguns momentos, sobretudo aquele no qual o Senhor colocou sobre meus ombros o serviço petrino. Um peso que ninguém poderia carregar sobre si com suas próprias forças, mas que é possível de ser carregado somente porque o Senhor nos leva e me leva", salientou.

Diante da riqueza da vida da Igreja e de sua multiplicidade de carismas, culturas e dons, o primado petrino "tem esta missão de tornar visível e concreta a unidade, na multiplicidade histórica, concreta, na unidade de presente, passado, futuro e do eterno".

Bento XVI finalizou seu discurso agradecendo ao autor e diretor Michael Mandlik e ao produtor executivo, doutor Gerhard Fuchs.